Entrevista com Wolfgang Menke

do House of ALL

Coworking não é Real State, dá um trabalho danado manter a taxa de ocupação

Não é exagero dizer que o empresário Wolfgang Menke construiu um império colaborativo na capital paulista. O complexo House of All, formado pela House of Work, House of Food, House of Bubbles e House of Learning, tem como principal objetivo unir pessoas que compartilham paixões; da moda à gastronomia, do trabalho ao conhecimento. As quatro casas em Pinheiros foram o ponto de partida para um projeto que quer crescer muito mais e atravessar as fronteiras do território nacional. Além de outras duas unidades em São Paulo (Lapa e Jardins), mais uma no Rio de Janeiro e outra em Belo Horizonte, o empresário quer construir uma rede internacional e fazer um esquema de “subscription de vida”. Quer saber como será? Tem isso e muito mais na entrevista!

Como começou?

Pinheiros tinha uma demanda de espaço de trabalho. Comecei hospedando alguns gringos em casa via Airbnb e eles pediam um lugar para trabalhar no bairro. Foi aí que percebi que tinha um nicho. Quando pensei em fazer um coletivo, queria trazer amigos designers e artistas, mas amigos não pagam e artistas não tem dinheiro (risos). Dai veio a ideia de trazer estranhos. No Airbnb tenho um conceito de trazer futuros amigos para casa, então pensei em fazer um Airbnb de trabalho; receber estranhos que viram amigos. Abri a House of Work em novembro de 2013, em janeiro de 2014 atingi break even e em fevereiro já tinha fila de espera. Hoje temos 9 casas no Brasil inteiro em 2 anos de atuação.


Crescimento do mercado de Coworking

Existe um resgate de princípios básicos que traz benefícios grandiosos. As pessoas buscam um significado, algo com essência. Tem muita gente que pensa em Coworking como Real State e até dá pra conseguir um aluguel legal em um lugar gigante, mas dá um trabalho danado manter a taxa de ocupação. Eu tenho muito cuidado com os clientes. A ideia é que ele faça parte da comunidade, que enxergue a casa como sua propriedade.

Tem muita gente que pensa em Coworking como Real State e até dá pra conseguir um aluguel legal em um lugar gigante, mas dá um trabalho danado manter a taxa de ocupação

Colaborar para prosperar

Tem muitos estudos sócio filosóficos falando sobre o que está acontecendo atualmente no mundo. Polarização, estado islâmico, questão do terrorismo, as fronteiras na Europa, individualismo, ascensão da extrema direita. Estamos no fim de um período muito focado no capitalismo. Um sistema que deu certo por muito tempo...milagrosamente. Milagrosamente não, porque tem uma boa estrutura, mas pra que o sistema capitalista continue funcionando temos que aumentar o consumo e explorar ainda mais...e não temos mais planeta pra isso. Muda o mundo quem tem poder para estar um pouco à frente para dar um passo para trás. Dá pra continuar num modelo capitalista, mas colaborativo. O lucro pode ser mantido, o que precisa é melhorar a operação. Em vez de buscar essa saga do crescimento que o capitalismo prega, você pode crescer menos e ser mais rentável. A empresa pode ser mais saudável.

Dá pra continuar num modelo capitalista, mas colaborativo. O lucro pode ser mantido, o que precisa é melhorar a operação

Construção de Comunidade

Me coloco numa posição de observador e tento não forçar as interações, mas temos coisas que facilitam o entrosamento. Tem café espresso grátis e sofá pra trocar ideia. Cerveja grátis também faz a diferença. O turnover do House é muito baixo. Fazemos os eventos na House of Learning pra tentar agregar mais capital intelectual pra junto desses coworkers, além de dar a oportunidade de conhecer mais pessoas e criar novas interações. A gente não compete com a We Work, por exemplo, que é um Coworking para grandes empresas. As pessoas não se conversam lá, tem um monte de parede de vidro, eles se vêm mas não se conhecem. Não é a mesma coisa. Aqui eu tenho só 2 salas privativas. Temos uma possibilidade incrível de crescimento com empresas gigantescas internacionais, mas a gente se mantem pequeno. Não é o custo, é o que a gente oferece.

Futuro do negocio

A casa está evoluindo pra acompanhar todo esse movimento. Em vez de uma mensalidade do Coworking a gente está migrando pra um esquema de “Subscription de Vida”. Você vai poder fechar um pacote pra “aluguel de vida”. Isso significa que você tem roupa, comida, cerveja, aluguel do Coworking e da casa no pacote. Estamos virando uma plataforma digital pra oferecer isso. Por exemplo: se alguém quer morar 3 meses em Berlim já tem lugar para morar/trabalhar porque já esta pagando o pacote integrado a uma rede. Só tem que avisar com 60 dias de antecedência. Já estamos começando a programar essa plataforma, que não é tão complexa, mas o mais difícil é montar essa equipe de atendimento.

Você vai poder fechar um pacote pra “aluguel de vida”. Isso significa que você tem roupa, comida, cerveja, aluguel do Coworking e da casa no pacote

O que vem por aí?

Estou preparando um projeto no morro do Alemão, que deve sair em outubro/novembro. O meu futuro inteiro está lá. Isso aqui não tem inovação de fato, são casas na zona oeste de São Paulo. Estou total focado em ir para as comunidades. Lá tem muita coisa pra acontecer, tem um cenário cultural incrível, é sempre um prazer compartilhar as coisas com eles. Mesmo aqui em São Paulo, a nossa periferia fervilha, é só ver o movimento de ocupação da molecada.