Entrevista com Gustavo Miranda,
Daniel Fismann e Cayrê Abuassali

do AKASA Hub

O Coworking veio trazer uma solução de mobilidade urbana para as grandes capitais

O nome faz jus à proposta do AKASA Hub; cada cantinho do local te faz sentir em casa mesmo. O Coworking, comandado pelos sócios Gustavo Miranda e Daniel Fismann, já nasceu com duas unidades em São Paulo (no Itaim e em Higienópolis). Os tijolos à vista em contraste com o grafite, os quadros coloridos e mensagens inspiradoras nas paredes, a área externa com churrasqueira (só para citar alguns detalhes) promovem uma atmosfera aconchegante e reforça o clima de comunidade, movimento que o Community Relations Manager, Cayrê Abuassali, acompanha de pertinho. Integrar os coworkers para impulsionar o desenvolvimento dos negócios que estão dentro desse ecossistema é uma preocupação constante da casa. Conversamos com os três membros dessa equipe de ouro sobre economia colaborativa, futuro do trabalho e novos caminhos do Coworking. Os principais tópicos desse bate-papo você confere abaixo:

Conceito de comunidade

Gustavo Miranda: Somente ofertar a estrutura para o pessoal trabalhar é uma ideia de compartilhamento um pouco antiga. É o formato Regus, que surgiu lá pelos anos 2000, no qual cada um vai, trabalha, mas não sabe quem é quem. Hoje, o ecossistema é muito mais orgânico, mais vivo e necessita essa relação entre as empresas, entre as pessoas. A gente tem um DNA muito forte de trabalhar no desenvolvimento das empresas que estão aqui dentro. Além disso, temos uma parceria com o My Place, que tem mais 2 unidades (Paulista e Pinheiros). A pessoa que trabalha aqui (na unidade Itaim) e tiver uma reunião na Paulista, pode usar a unidade do My Place por lá. Mas além da estrutura (teto, internet, mobiliário) pra trabalhar, queremos dar um passo dentro da empresa. Do que você precisa? Como posso te ajudar? Você mexe com e-commerce? Estou vendo que você tem problemas no seu site, quer um programador? Tenho um programador pra te indicar. É uma conexão de pontos.

Daniel Fismann: Promovemos o relacionamento até com as pessoas que não aparecem muito (no caso de quem só usa o escritório virtual, endereço fiscal ou sala de reunião esporadicamente). Não é interessante para o cara vir, mostrar o seu serviço para outras empresas, sem nem ao menos ter um posto fixo? A gente estreita as relações entre eles. Mesmo não estando aqui, queremos trazê-los para cá.


Diferença entre Coworking e escritório compartilhado?

Cayrê Abuassali: O Coworking também é uma filosofia. É uma forma de aplicar a mesma regra colaborativa do escritório compartilhado, só que valorizando os players e o ecossistema. Numa visão bem objetiva e mercadológica, qual é o nosso business? É disponibilizar espaços comerciais. Se eu te conectar com outra empresa, se eu te oferecer uma facilidade ou um serviço, estou visando a tua saúde empresarial pra que você continue alugando o meu espaço, e promovemos isso com prazer. Não é inocente, mas também não é canibal. É colaborativo! Um Coworking deve ter um ambiente de ideias férteis, renováveis, workshops, conexões.

Gustavo: A gente enxerga esse mercado de Coworking como facilities para o usuário final, como funciona com o Easy Taxi, 99, Uber. É muito mais fácil pedir um táxi pelo aplicativo ou fazer uma compra online. O nosso mercado vem nessa gama do 2.0 para a parte corporativa. Você não precisa mais de fiador, procurar um imóvel, etc. O Coworking desburocratizou o mercado.

O Coworking também é uma filosofia. É uma forma de aplicar a mesma regra colaborativa do escritório compartilhado, só que valorizando os players e o ecossistema

Multipluralidade de segmentos

Daniel: O conceito de multipluralidade já começa no nosso logo. Quando decidimos que o logo não teria uma cor fixa, queríamos dizer que somos para todo tipo de empresa e todo tipo de pessoa. Somos flexíveis, abertos a novos formatos, novas ideias, novos segmentos.

Cayrê: Às vezes você tem alguém com visão super financeira, outro cara tem uma visão mais gráfica, o outro é pratico e o outro é logístico. Pode ser que num papo de café, essa união de pessoas e empresas com conhecimentos diferentes traga uma solução genial pra um desses caras que estava ali só pra tomar um café.

Fusão de dois segmentos

Gustavo: Uma característica muito legal de pontuar é que AKASA Hub veio pra fazer a fusão de dois segmentos de compartilhado que já existem: o antigo (formato Regus, salas privativas, ambiente corporativo, atendimento virtual, fiscal, endereço comercial) com um outro modelo mais novo – que são os coworkings. Às vezes, alguns escritórios específicos de Coworking acabam não fornecendo todos os serviços para o usuário final. AKASA veio pra juntar essas duas pontas: temos salas privativas, conseguimos fornecer endereço fiscal pra abertura de empresa, toda parte de telefonia e atendimento personalizado (escritório virtual feito por pessoas e não por sistema automático), sala de reunião e ambiente de Coworking. Pegamos todos os ingredientes legais desses dois nichos já bem fortalecidos no mercado para criar o nosso negócio.

Crescimento do mercado de coworking no Brasil

Cayrê: Existem muitas razões para o crescimento do mercado de Coworking no Brasil. Temos um braço de tecnologia muito forte, tanto de curiosidade e criatividade, quanto de capacitação de desenvolvimento. Isso faz com que o nascimento de startups seja uma constante. A economia está ruim, as pessoas estão deixando de lado o emprego convencional porque deixam de vislumbrar um futuro. A sociedade toda está caminhando para um lado mais empreendedor. A mente empreendedora tem mais base de conhecimento, está mais popularizada e arriscar deixou de ser um bicho de sete cabeças.

Gustavo: Querendo ou não, essa moda do Coworking é uma onda. E tem muitos entusiastas que surfam essa onda. Algumas pessoas me procuraram falando que tem um imóvel sem alugar há um ano e querendo montar um Coworking. Tem muita gente tentando iniciar um Coworking ou entrando para o segmento mais como uma forma de driblar a crise econômica.

Daniel: Supondo que a pessoa tenha 10 imóveis e 8 não tem mais aluguel, mas a família vive de renda. Vai ficar com todos os imóveis fechados? Eles se voltam para um mercado que está em expansão, que acabou de nascer, e vão descobrir esse novo mercado. Os imóveis parados se transformam em empresas, que geram renda.

Cayrê: Tem muito oportunismo. Existe um ideal de negócio que está aí e todo mundo abraça. As pessoas dão o nome de Coworking porque é popular. Quando você tem muitas opções de lugares para ir (já são quase 400 coworkings no Brasil), esse lugar tem que ser bom. O cara que já está no mercado tem a preocupação de te oferecer os melhores serviços, com agilidade e expertise.

Querendo ou não, essa moda do Coworking é uma onda. E tem muitos entusiastas que surfam essa onda

Futuro do trabalho: o que vem depois do Coworking?

Daniel: Eu acho que os primeiros passinhos que vão ser dados nos próximos anos é uma ligação muito maior, e eu diria até global, entre os Coworkings. No nosso modelo de negócio já juntamos a nossa rede com mais duas unidades do My Place, mas por que não juntar com o X, o Y e o Z, e tantas outras ao redor do mundo?

A globalização do Coworking é algo bem palpável para os próximos anos

Gustavo: Acho que é importante focar no quanto a gente precisa educar a sociedade para mostrar que existem outras formas mais fáceis de trabalhar. A nossa maior missão é mostrar para as grandes empresas, para as multinacionais (Itaú, Johnson & Johnson, Procter & Gamble), que não é necessário você mobilizar sua folha inteira (zona leste, oeste, norte, sul) para uma matriz. Hoje em dia, com toda a tecnologia que temos, será que não conseguimos pensar em ter alguns núcleos de escritório compartilhado em algumas regiões onde tenha maior concentração de funcionários? Ah, tenho 22% da minha folha na Zona Leste, será que eu preciso desloca-los todos os dias da zona leste até a zona zul para trabalhar? Será que não posso achar um ambiente bacana, super motivacional pra trabalhar na zona leste? O Coworking veio para trazer uma solução de mobilidade urbana para as grandes capitais. Não ter que deslocar todo mundo do ponto A ao ponto B e criar um ponto alternativo mais próximo da saída é o principal fator do futuro desse modelo de negócio.